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PFDC participa de abertura da mostra “Arpilleras bordando a resistência”, que retrata impactos de crimes socioambientais

2020-03-12 15:06

Produzida pelo Movimento de Atingidos por Barragens, exposição reúne peças com testemunhos das violações sofridas nos desastres nas cidades de Mariana e Brumadinho

PFDC participa de abertura da mostra “Arpilleras bordando a resistência”, que retrata impactos de crimes socioambientais

Foto: Movimento de Atingidos por Barragens (MAB)

A procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, participou na tarde de quarta-feira (11) da abertura da mostra “Arpilleras bordando a resistência”, que estará na Câmara dos Deputados até 20 de março.

A exposição reúne 15 peças do acervo do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) e traz os testemunhos das violações sofridas pelas comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, e a do Córrego do Feijão, em Brumadinho – ambas em Minas Gerais e sob responsabilidade das empresas mineradoras Samarco, BHP Billitton e Vale. Os desastres socioambientais resultaram em 290 mortes e atingiram a extensão das bacias dos rios Doce e Paraopeba, chegando ao São Francisco.

As “arpilleras” são uma técnica de contação de histórias a partir da arte do bordado. Foi inventada pelas mulheres chilenas para contar as histórias de dor e luta durante o período da ditadura militar no Chile. No Brasil, o Movimento de Atingidos por Barragens vem fazendo um trabalho de formação de mulheres e produção de arpilleras para contar suas histórias de luta e fazer a denúncia sobre a violação dos seus direitos. Somente em Minas Gerais, mais de 600 mulheres estão envolvidas no processo de criação das arpilleras, e mais de 50 peças já foram produzidas no estado.

“Emociona o uso da arte do bordado para ativar lembranças, para contar histórias como uma maneira de sair do silêncio absurdo do esquecimento. Cada linha ali bordada é uma história que se soma a outras e outras. E as muitas histórias ali presentes vão construindo a dimensão do sofrimento e da dor dos atingidos por barragens”, destacou a procuradora Deborah Duprat.

Segundo Tchena Mazo, representante do MAB, a mostra busca trazer, de maneira artística, criativa e contundente, os testemunhos das violações sofridas. “Como dizer o que não se encontra palavras? Nos carece nos mais altos dicionários uma descrição precisa das imagens de 5 de novembro de 2015 e, para os que tiveram os olhos mais atentos, ver a história se repetir em tragédia em 20 de janeiro de 2019. Os rompimentos em Mariana e Brumandinho são a interrrupção de dezenas de vidas – que viraram centenas e que, provavelmente, serão milhares. Ser atingida é costurar esse não-dito”, pontuou.

Para a deputada federal Érika Kokay (PT/DF), a produção da mostra Arpilleiras é, antes de tudo, um ato de resistência – especialmente das mulheres, que são as maiores atingidas em qualquer processo de vulnerabilização social, como o provocado por crimes socioambientais. “Mulheres, água e energia não são mercadorias”, reforçou a parlamentar, que integra a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

Já Rosangela Piovizani, representante do Movimento de Mulheres Camponesas, chamou atenção para o custo social da atividade de mineração no Brasil. “Essa exposição permite traduzir a dor e o sofrimento que se acumula ao longo dos tempos, fruto de processos de desterritorialização de comunidades e de suas tradições, continuamente provocados pela atuação de empresas mineradoras no país. A sanha do capital não tem limites, ela visa apenas o lucro”, reforçou.

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