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Educação em Direitos Humanos: projeto coloca em debate a construção da identidade na formação de estudantes

2019-04-26 13:37

Encontro integra agenda de formação continuada dos professores que participam do Projeto “Cidadania e Democracia desde a Escola”, iniciativa que conta com a parceria da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão

A identidade de cada pessoa é uma característica dinâmica, em constante construção e que se relaciona ao senso de pertencimento a uma determinada sociedade. Para abordar as complexidades em torno do tema e qualificar a discussão com estudantes no ambiente escolar foi realizado nesta quinta-feira (25) um encontro com profissionais da educação participantes do projeto “Cidadania e Democracia desde a Escola”, desenvolvido pelo Instituto Auschwitz para a Paz e a Reconciliação (AIPR) em parceria com a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF), a Secretaria de Educação do Distrito Federal e a Subsecretaria dos Profissionais da Educação do Distrito Federal.

O projeto tem como objetivo contribuir com a criação e a difusão de ferramentas para uma educação inclusiva, plural, crítica e democrática, que permita levar aos estudantes de escolas públicas dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio informações para o fomento de debates na perspectiva de empoderamento em relação aos direitos humanos.

O encontro fez parte de uma agenda para a formação continuada dos professores que integram a iniciativa. Os profissionais envolvidos participaram, em março, de uma formação inicial para levar a estratégia às salas de aula em 2019. No decorrer do ano letivo serão realizados novos encontros que colocarão em diálogo os temas relacionados aos eixos temáticos do material pedagógico de apoio aos educadores. Dessa forma será possível aprofundar a discussão sobre dignidade e respeito; direitos humanos; democracia, comunicação e direito à informação; cidadania, cooperação e diversidade. Os encontros serão importantes, ainda, para compor momentos de reflexão e troca de experiências no intuito de aprimorar as ações do projeto.

Projeto “Cidadania e Democracia desde a Escola”A advogada Maria Eduarda Mendonça nasceu com nanismo e deficiência visual. Ela compartilhou suas experiências relativas à formação escolar, acadêmica e profissional, relatando desde episódios de preconceito à superação das dificuldades ao longo dos anos, com destaque para o papel dos educadores no fortalecimento da autoestima dos alunos e consequente impacto em suas vidas. Para Maria Eduarda, que já contribuiu com seus trabalhos na PFDC, tanto a discriminação quanto o bullying e outros episódios de violência são manifestações do medo em relação àquilo que é desconhecido. O caminho, ressalta, não é a repressão ostensiva, mas sim o diálogo. “Eu aprendi que a pior deficiência não é a física ou a visual, mas aquela que nos mata por dentro: é o pessimismo, a ignorância e a tristeza. É você se vitimizar e desistir de si mesmo”, destacou a advogada.

Durante o encontro os participantes também afirmaram que alguns dos problemas relacionados à violência estão associados à falta de planejamento pedagógico e, nesse sentido, a alta rotatividade dos profissionais da área nas escolas e a descontinuidade das ações impactam diretamente na intensificação dos desafios. Parte da solução encontra-se, portanto, na valorização dos espaços e serviços de orientação educacional e na formação continuada dos educadores.

Outro aspecto abordado foi a necessidade das escolas buscarem o apoio da rede de proteção à criança e ao adolescente visando sanar as carências que o próprio ambiente escolar possui, de modo não apenas a garantir a diversidade e o pluralismo de ideias, mas também oferecer segurança à atuação dos professores. Nesse sentido, o papel do poder público é fundamental para a garantia plena do direito à educação.

Afirmaram, ainda, que o trabalho com os estudantes tem que levar em conta a capacidade de olhar com empatia, sem julgamentos, buscando compreender os diversos contextos para que os professores possam se conectar e oferecer aos alunos apoio na compreensão de seus anseios e na superação de suas dificuldades. “Nós estamos aqui para quebrar barreiras. E eu convido vocês a transformarem a decepção, a tristeza e a violência em luta. Porque o caminho é árduo, mas o importante é que vamos construir um futuro juntos”, concluiu Maria Eduarda Mendonça.

Saiba mais
A execução do projeto “Cidadania e Democracia desde a Escola” teve início no segundo semestre de 2016 por meio da construção participativa envolvendo professores, estudantes, entidades governamentais e não governamentais de educação. Sua metodologia foi estruturada em consonância com o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos e a Base Nacional Comum Curricular e contempla temas a serem trabalhados transversalmente pelos professores: identidade, igualdade e discriminação; diálogo plural, respeito e tolerância; solidariedade, empatia e cooperação; democracia e direitos humanos; cidadania responsável, fortalecimento e participação da juventude; sustentabilidade, meio ambiente, mundo global, mídia e comunicação.

Em 2018, com o título “Educação, Direitos Humanos e Prevenção”, foi realizada a experiência piloto, contemplando sete escolas públicas – cinco em São Paulo (SP) e duas no Distrito Federal (DF), envolvendo 15 professores e beneficiando aproximadamente 700 alunos. As atividades foram realizadas com apoio de um caderno pedagógico construído para facilitar a consolidação dos métodos e apoiar a aplicação e o desenvolvimento dos eixos temáticos, tornando-se uma ferramenta de suporte ao docente e que estará em constante construção para dialogar com a realidade dos estudantes.

 

*Imagem: PFDC

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