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PFDC participa de debate sobre violência com estudantes do Paranoá

2018-04-05 14:49

Durante o encontro, alunos do ensino fundamental e médio apresentaram pesquisa sobre a percepção da comunidade acerca do problema. Deborah Duprat defendeu mais investimentos em políticas públicas para superar as desigualdades

 

Investir em políticas públicas que deem conta dos desafios da diversidade brasileira e que sejam capazes de fazer enfrentamento à violência que acomete a população das periferias. Esse foi o destaque durante roda de conversa no Centro de Ensino Fundamental 5, no Paranoá (DF), na manhã desta quarta-feira (04).

PFDC participa de debate sobre violência com estudantes do ParanoáPromovido no âmbito do projeto "Onda: Adolescentes em Movimento pelos Direitos", do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), o encontro teve como objetivo divulgar uma pesquisa realizada pelos estudantes com enfoque na visão dos moradores acerca da violência comunitária que mais afeta a população jovem da região. Segundo informações apresentadas pelos alunos, crimes contra as mulheres, agressão policial, conflitos entre gangues, racismo e homofobia figuraram como as formas mais comuns de violência durante o levantamento.

De acordo com a procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, a pesquisa evidencia um retrato do que acontece no Brasil como um todo. "O fato de nós termos uma Constituição que prevê direitos não significa que eles estejam totalmente implementados ou igualmente distribuídos. Essa é uma luta permanente dos vários grupos que foram historicamente marginalizados", afirmou.

Ressaltou, ainda, que a conformação histórica de centro como espaço de uma classe privilegiada e de periferia como lugar de confrontos reforça uma lógica na qual o ciclo da violação de direitos se agrava mais para determinados grupos sociais, sobretudo, quando a questão está associada à pauta da segurança pública. "As forças policiais foram organizadas desde o começo da nossa história para proteger esse centro contra as suas margens. A margem foi colocada como local de perigo", ressaltou Deborah Duprat ao considerar que a falta de políticas básicas, como educação e saúde, por exemplo, é também uma estratégia efetiva de poder.

"Nós somos o País que mais mata adolescentes no mundo", anunciou o oficial de projetos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Mário Volpi, criticando a inversão de discurso que constantemente criminaliza a juventude sem colocar em debate que crianças e adolescentes são as principais vítimas da violência. De acordo com o representante do Unicef, menos de 3% dos casos de adolescentes assassinados no Brasil são investigados, o que acaba por evidenciar uma naturalização do problema. "Nenhuma das 16 guerras que são reconhecidas atualmente pela ONU mata mais do que se mata no Brasil", alarmou Volpi.

Sérgio Antônio dos Santos, presidente do Conselho Comunitário de Segurança Pública do Paranoá, destacou a importância de compartilhar a pesquisa com outras escolas do Distrito Federal como forma de estimular a discussão do tema. Para ele, o investimento em políticas públicas de segurança deve ser considerado como uma maneira de enfrentar a situação.

"Nós temos que vencer desigualdades mediante grandes investimentos em políticas públicas para que as pessoas possam ser plenamente sujeitos de direitos", finalizou a procuradora Deborah Duprat.

Percepções - Durante o encontro, os estudantes apresentaram episódios de agressões vivenciados por eles. Um dos adolescentes relatou que, ao tentar evitar que a mãe fosse atingida pelo então companheiro, acabou sendo ferido. Após análise dos dados coletados para a realização da pesquisa, os alunos concluíram que a comunidade considera importante o investimento na segurança. Entretanto, ressaltam que a ação policial não deve ser compreendida como solução isolada de todo o contexto local. "Investir em segurança pública é investir em educação, alimentação, saúde, moradia e em todos os direitos básicos que garantem uma vida digna para a população", concluíram.

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