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Post em 3/3/19 – Higino João Pio

“Para que não se esqueça, para que não se repita.”

* O texto abaixo foi produzido pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e fazem parte de uma série de relatos publicados diariamente sobre eventos que constituem graves lesões a direitos humanos. Para acessá-los diretamente nas redes sociais da Comissão, clique aqui.

 

Em 03 de março de 1969, morreu Higino João Pio. Mesmo sendo prefeito de um dos maiores destinos turísticos do Brasil, Camboriú/SC, o AI 5 permitiu que fosse preso, torturado e assassinado por forças da repressão política. O mesmo ocorreu com muitos outros políticos importantes da época, que eram contrários ao regime ditatorial, como por exemplo, Rubens Paiva, no Rio de Janeiro/RJ.

Higino nasceu no interior do Estado de Santa Catarina e mudou-se para Camboriú ainda bem jovem para trabalhar. Era um cidadão simples e extrovertido, gozava de notória credibilidade frente à população local de Camboriú/SC. Tornou-se o primeiro prefeito eleito de Balneário Camboriú, em 1965, pelo Partido Social Democrático (PSD), assim que o município se emancipou de Camboriú. Em virtude de disputas políticas locais, foi acusado de irregularidades administrativas sendo, em fevereiro de 1969, preso por agentes da Polícia Federal. Conduzido para a Escola de Aprendizes de Marinheiros de Florianópolis, Higino foi interrogado e mantido isolado. Morreu em 03 de março, uma quarta feira de cinzas, aos 47 anos de idade, após estrangulamento, em ação perpetrada por agentes do Estado, que alegaram suicídio.

O “modus operandi” da repressão seguiu o mesmo roteiro adotado após o assassinato da maioria das vítimas. Foi emitido um laudo falso e a família obrigada a ficar calada, sob graves ameaças. Apesar do medo de todos, o enterro de Higino teve um dos cortejos mais numerosos já vistos na cidade de Itajaí/SC.

Em decisão de 15 de maio de 1997, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) reconheceu a responsabilidade do Estado brasileiro.

Para a decisão, a Comissão baseou-se principalmente nas fotos do corpo, encontrado trancado à chave, dentro de um banheiro, com o rosto encostado à parede. Tinha ao pescoço uma toalha. Ao contrário do que foi afirmado no laudo, de que ele estaria em posição de suspensão incompleta, o exame das fotos concluiu que a posição de suspensão incompleta era invisível do ângulo tomado. Pelo contrário, o prefeito Higino, um homem de grande porte, tinha os pés completamente apoiados ao chão.

O prefeito Higino recebeu várias homenagens póstumas, inclusive a atribuição, em 1976, de seu nome a uma praça na região central do município de Balneário Camboriú, onde se encontra o busto que consta dessa fotografia.


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