Sections
You are here: Home Informação e Comunicação Eventos I Caminhada do Silêncio Post em 1/3/19 – Movimento Primeiro de Março
Document Actions

Post em 1/3/19 – Movimento Primeiro de Março

“Para que não se esqueça, para que não se repita.”

* O texto abaixo foi produzido pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e fazem parte de uma série de relatos publicados diariamente sobre eventos que constituem graves lesões a direitos humanos. Para acessá-los diretamente nas redes sociais da Comissão, clique aqui.

 

Em 1º de março de 2019, comemoram-se 100 anos do Movimento Primeiro de Março, na Coréia, que ocorreu nessa data, em 1919. Foi uma das primeiras demonstrações públicas da resistência coreana durante a ocupação do Império Coreano pelo Japão, desde 1910.

Durante esses 09 primeiros anos de ocupação japonesa, os coreanos quase não ofereceram resistência, apesar da truculência e da opressão japonesa, que impôs um regime de terror em toda a península coreana.

Milhares de pessoas foram jogadas em campos de trabalho forçado ou em fábricas, onde trabalhavam em condições análogas às de escravidão.

Foram outorgadas várias leis que visavam suprimir a cultura coreana e iniciar um processo de assimilação forçada da cultura japonesa. A língua coreana, por exemplo, foi banida, a literatura e canções nacionais foram proibidas e, posteriormente, até os nomes das pessoas, de origem coreana, foram barrados, com as famílias sendo obrigadas a darem aos seus filhos nomes de origem japonesa.

Como já mencionado, a reação nacionalista foi tímida e demorada, até que, em 1º de março de 1919, centenas de milhares de coreanos manifestaram-se contra a dominação nipônica.
O Movimento começou às duas horas da manhã, num restaurante de Seul, onde os 33 nacionalistas que formavam o núcleo do movimento de resistência leram uma declaração de independência, escrita por um historiador e um poeta.

Esse pequeno grupo foi imediatamente preso, mas em seguida, no mesmo dia, em toda a península, surgiram milhares e milhares de pessoas lendo cópias do documento e proclamando a independência.

As autoridades japonesas responderam com violência. Cerca de 23.000 pessoas morreram ou foram feridas e efetuaram-se quase 50.000 detenções apenas entre março e abril de 1919. O Movimento Primeiro de Março conseguiu alguns avanços. Formou-se, ainda em 1919, um governo coreano no exílio, com sede em Xangai (China), com o apoio do governo americano, pois a China ainda não era governada pelo Partido Comunista.

Ao menos nos 20 anos seguintes, embora o domínio japonês tenha permanecido, alguns de seus aspectos mais nocivos aos coreanos foram removidos; a polícia militar foi substituída por uma força civil; uma liberdade de imprensa limitada foi permitida.
As mulheres também encontraram novas oportunidades, após o Movimento, para expressar suas opiniões e ideias de liberação feminina pela primeira vez na Coreia, em jornais impressos.
O Movimento Primeiro de Março foi principalmente um grande exemplo de resistência não violenta e influenciou esse tipo de reação na Índia e em muitos outros países.

Entretanto, suas conquistas sofreram imenso retrocesso durante as várias guerras travadas a partir dos anos 30/40, inclusive a Segunda Guerra Mundial. Durante a Guerra do Pacífico (1932-1945), por exemplo, além da utilização de coreanos em trabalhos forçados nos campos de batalha, estima-se que cerca de 100 mil mulheres (inclusive crianças), a maioria coreana, foram obrigadas pelo exército japonês a servir sexualmente seus soldados, em um dos maiores casos de tráfico humano do mundo. As vítimas, eufemisticamente conhecidas como "mulheres de conforto", eram submetidas à violação repetida (mais de 20 relações ao dia) e ao espancamento. As poucas sobreviventes jamais foram indenizadas.

Vários países, comunistas e capitalistas, prestaram apoio à Coréia no período, mas o fim da dominação japonesa ocorreu apenas quando os japoneses se renderam aos Aliados, em 1945. Nessa ocasião, tropas dos Estados Unidos e da União Soviética invadiram a península pelo norte e pelo sul, respectivamente, e ocuparam militarmente a região. Assim, a Coréia foi dividida em duas, sendo a Coréia do Norte comunista, sob influência soviética, e a do Sul, capitalista, sob influência estadunidense.

Em 1972, os dois países foram reconhecidos pela ONU. A partir dos anos 90 o diálogo entre as duas Coréias melhorou sensivelmente.

Ambas comemoram o Primeiro de Março. Na Coréia do Sul a data é feriado nacional.
Embora o Japão tenha feito mais de um pedido formal de desculpas aos coreanos, a relação entre os países é fria e para sempre tensa. O Monumento da foto, em homenagem às vítimas e resistentes do Movimento Primeiro de Março, fica no Tapgol Park, em Seul/Coréia do Sul.


Personal tools

This site conforms to the following standards: